Desfragmentando PH


Rory Gilmore Sou Eu

            Quando soube que a série “Gilmore Girls” teria um revival em 2016 que contaria com o elenco original e com a criadora Amy Sherman Palladino (que não havia escrito a última temporada do seriado), fiquei animadíssimo.

            Amy vivia concedendo entrevistas nas quais alardeava que desejava muito escrever um final digno para Lorelai e Rory, principalmente porque sempre sonhara encerrar o seriado com quatro palavras especiais. Netflix, então, ouviu os apelos de Amy e dos fãs para fazer um revival que teria quatro episódios de uma hora e meia cada.

            Por conta disso, na sexta passada, com a estreia de “Gilmore Girls – A Year in the life", mais uma vez pude visitar a cidade fictícia de Stars Hollow com seus moradores pitorescos. Todos aqueles personagens me fizeram viajar no tempo, pra quando eu ainda era adolescente e acompanhava a maratona de episódios da série pelos DVDs que adquiria com muito cu$to. Ou então para quando eu assistia aos episódios semana a semana pelo canal Warner.

            Mais de nove anos se passaram e, com exceção das marcas do tempo nos atores e atrizes, lá estavam a mesma química, a personalidade intacta de todos os personagens, os diálogos espertos repletos de referências e a relação de amor entre mãe e filha (Lorelai e Rory) que norteou toda a trama desde o começo. Foi como uma visita gostosa ao passado.

            O que mais me tocou, entretanto, foi a trama construída pela autora para a personagem de Rory Gilmore. Rory sempre foi a personagem perfeita. Uma garota inteligente, doce, que sonhava cursar jornalismo e viajar o mundo a trabalho.

            Contudo, no revival de Gilmore Girls do Netflix, Rory não alcançou a carreira de sucesso que sempre sonhou. Ainda que tenha estudado tanto e se dedicado aos seus objetivos com fervor, o espectador é compelido a vê-la falhando em todas as suas tentativas de conseguir um emprego fixo de jornalista. Perdida em sua carreira e fracassando nos seus relacionamentos amorosos, Rory se vê aos trinta e dois anos em crise.

            O seriado, ao invés de construir um final redentor para a personagem, a faz sofrer a dor de não ter alcançado todos os sonhos da juventude. Mesmo tendo feito tudo certo, a carreira de Rory não decolou como ela ansiava e isso a frustrara.

            Eu me compadeci com Rory e me vi nela. Também tive meus percalços, minhas desilusões, minha vontade de jogar tudo pro alto e recomeçar. Também me questionei e não entendi o que me levara ali. A vida nem sempre é boa como gostaríamos e faz parte da maturidade aceitar isso e nos movimentarmos em uma direção (seja em rebelião, seja em resignação).

            Não à toa, na série há um grupo de homens e mulheres de trinta anos que volta à cidade natal após fracassarem em suas carreiras. Claro que o mote serve para agravar a crise de Rory, mas também para mostrar como pode ser dura a vida pós-faculdade. Todos nós estamos sujeitos ao fracasso, e cabe a nós saber fugir dessas desilusões.

            Embora não possa saber o que acontecerá com a Rory além do ano que cobre o revival, como fã fervoroso e conhecendo suas imensas qualidades, espero que ela saiba se reerguer e lutar, como sempre fez.

            A vida adulta é mesmo assustadora e muitas vezes nos leva a caminhos inesperados. No entanto, é nosso dever inventarmos saídas ou, ao contrário, aceitarmos nosso destino. Cabe a cada um escolher o que melhor lhe cabe. Rory, no seriado, optou por batalhar. Parece mesmo a melhor opção, se quer saber.

*

            Leitor, aviso logo, as últimas quatro palavras da série são bombásticas. Em meio a tantos escândalos e crises na política, chega a ser irônico que seja Gilmore Girls que tenha me deixado em choque.

*

            Se pudesse me descrever com personagens em seriados, acho que eu seria um misto de Chandler Bing e de Rory Gilmore.



Escrito por Pedro Henrique Gomes às 22h29
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