Desfragmentando PH


Um pouco de passado

Faz tanto tempo que não venho aqui que parece que as palavras todas me fugiram. Ou melhor: não as palavras, mas aquela ânsia que antes me fazia correr para conversar com meu leitor inexistente. Era como uma paixão avassaladora que me arrastava diante do computador. Só não sei se era amor pelo blog, pelo leitor ou por mim mesmo, já que sempre tomei a escrita como um meio de desabafo dessa minha  característica que pensei ser talento. Mas não era bem talento, era menos: era vontade, talvez inveja dos meus escritores favoritos. Queria eu poder saber transmitir todas as emoções que Lygia, que Rachel, que Machado foram capazes de me provocar enquanto eu lia suas histórias. Ficou o amor pela escrita, dormindo aqui dentro.

Mas uma hora desperta e de repente eu me vejo sentindo saudade daquele sonho que tanto me moveu outrora. Lembro dos meus livros amadoramente encadernados, guardados na estante. Recordo do meu blog abandonado. Lembro do frenesi que sempre me tomou quando eu escrevia minhas bobagens. Posso não ser Lygia, Rachel, Machado, contudo ainda guardo em mim a paixão. Paixão desbotada, é verdade, mas que ainda existe. E foi ela que me trouxe aqui hoje, pra matar as saudades do meu querido “Desfragmentando PH”.

 

 

Falando em passado, estranhamente este tem me visitado ultimamente. A última moda, veja só, virou capturar Pokemóns através do aplicativo “Pokémon Go”. É algo que imita o desenho, no qual o “treinador” sai andando pela rua com o celular e, ao encontrar algum Pokémon (uma espécie de “animal” com poderes especiais), tenta capturá-lo com uma bola colorida (Pokébola).

O jogo está virando uma febre entre os mais novos e, depois de causar algum frenesi no mundo, foi tachado como sendo idiota. Sim, porque aparentemente é um jogo para alienados, dado que faz com que os mais jovens se atraquem a seus celulares, tornando-se zumbis.

Os detratores criticam os novos treinadores, ao passo que os defensores alegaram que o tal jogo tem incentivado novas amizades, exercício físico nas crianças e até cura de depressão de pessoas que não queriam sair de casa.

Embora haja a crítica, eu confesso que baixei tal aplicativo. Divirto-me capturando Pokemóns, os evoluindo e até os nomeando de maneira divertida. Após pegar um Arbok (cobra), dei o nome de Jafar. Ao capturar um Psiduck (pato), o nomeei de Pato Donald. E assim vai.  Depois da febre, até me aventurei a assistir um episódio do antigo Pokémon no Netflix. Achei bobo demais, mas está valendo.

Quando as pessoas se apressam em me criticar, minha desculpa é sempre essa: “Olha, Pokémon é da minha época. Se eles criaram o aplicativo, eu mais do que ninguém deveria jogá-lo pela nostalgia”.

Mesmo depois da confiança desta resposta, continuo jogando o “Pokémon Go” só em casa ou na penumbra. Imagina a vergonha de jogá-lo na rua! Sabe como é, às vezes a falsa confiança vem para disfarçar um certo constrangimento. Tenho quase trinta anos, não é mesmo?

 

 

 Tenho tanto assunto pra falar. Queria mencionar o impeachment, a volta do meu irmão de Dublin, a revolta seletiva das pessoas, as Olimpíadas, meu trabalho, meus livros, filmes e séries. Queria dizer sobre o papel da escrita na minha vida. Não desejo, porém, cansar o leitor com esta minha volta. Desejo retornar fresco, para que possamos conversar com calma, como amigos. Fico por aqui, por hoje.

Estava com saudades, sabia? Não sei se do blog, mas definitivamente de escrever, mesmo que seja pra espalhar tolices. Sinto-me leve e talvez um pouco melancólico. Talvez a escrita seja pra mim, de fato, mais do que uma simples paixão amarelada.   



Escrito por Pedro Henrique Gomes às 14h57
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