Desfragmentando PH


Cartas Extraviadas: O Pedido Especial ao Papai Noel

         Papai Noel,

 

          Eu te vi ontem no shopping e penso realmente que está fora do peso. Não que eu tenha qualquer preconceito com isso, mas minha mãe sempre diz que gordinhos são perfeitos alvos para bullying e me senti na obrigação de alertá-lo.

          Existe um garoto na minha sala – com o terrível nome de Wallace – que de fato é uma baleia, e os meus amigos vivem implicando com ele, afirmando que sua barriga é tão grande que deve ser difícil mirar no vaso sanitário na hora de fazer xixi. Foi por isso que quis te dar uma dica antes que seus colegas resolvam te tomar como alvo de piadinhas.

          Bem, dado o recado, sinto que já criamos uma certa amizade. Quer dizer, você nunca me viu nem conheceu pessoalmente, e ainda assim todos os anos resolve me dar um presente. Acho que isso quer dizer que acabou criando uma forte relação de carinho por mim, mesmo não me conhecendo realmente. E foi este seu afeto incrível que o força a me presentear. Que bom. Devo confessar que adorei todos os presentes que já me deu, com exceção claramente daquele carrinho de controle remoto do ano passado.

          O carrinho era tão vagabundo que apenas durou dois dias, quebrando de vez quando o joguei da janela do meu quarto por raiva. Sim, raiva depois que vi que o carrinho de controle remoto do Wallace era bem mais potente e brilhoso do que o meu, o que me pareceu bastante injusto, se quer saber a minha opinião.

          Ora, Papai Noel, sejamos honestos: Wallace é uma baleia insuportável. Às vezes fico me perguntando como pode um garoto ter aquela barriga grande! Meu pai também tem uma barriga imensa, mas sempre culpa o chope do fim de semana. Fico imaginando qual será a desculpa de Wallace.

          Isso não importa realmente. Estou te escrevendo como faço todos os anos, mas desta vez resolvi gastar um pouco mais de tempo para fazer um pedido especial. Não é nada que um bom velhinho como o senhor não possa fazer, principalmente quando levado em consideração todos os anos de amizade que temos.

         Pois bem, meus pedidos deste ano são simples: quero um Playstation 4, três jogos (GTA, Fifa e NBA), um iPhone 6 e, claro, um novo carrinho de controle remoto, mas desta vez um que seja veloz o suficiente para humilhar meus colegas da escola.

         Deve estar estranhando os poucos pedidos que fiz. Pois é: estou me sentindo bastante generoso este ano, e isso porque mamãe me explicou que o senhor já tem que gastar um dinheirão com os presentes das outras crianças, de modo que não pode gastar tudo comigo. Eu entendo. Há outras crianças no mundo, principalmente na África onde existe muita gente com fome, como me ensinou papai.

Ainda assim, sinto que devo fazer um último pedido. Gostaria, por favor, que não desse nenhum presente para o Wallace este ano. Logicamente ele não tem sido um bom menino, o que eu lamento muito.

Wallace, como sabe, exibiu de maneira bastante egoísta o carrinho de controle remoto no colégio, levando-o todos os dias para que pudesse brincar no recreio e atrair novos amiguinhos. Acho que isso apenas mostra o quão mesquinho ele pode ser, principalmente porque sabe que muitos coleguinhas não tiveram a oportunidade de ganhar um presente como este no Natal.

Ele também não tirou tão boas notas na escola, já que a Tia Helena foi reclamar que ele não presta atenção no ditado e por isso erra coisas básicas. Coitado. Wallace também não tem nenhum autocontrole como diz mamãe, porque ele come um pacote inteirinho de Chocolícia no recreio e mal oferece biscoitos para o resto da turma.

Papai Noel, acho que fui bastante claro: Wallace não foi um bom menino e não merece nenhum presente neste Natal. Faça este favor por mim e não o visite este ano. Deixe que ele aprenda a lição para que seja um menino mais legal e mais magro no ano que vem.

Bem, acho melhor eu parar por aqui porque o meu desenho vai começar. Espero o senhor e meus presentes dia 24. Vou deixar a janela aberta para o senhor. Mas trate de chegar um pouco mais cedo na minha casa, tá? Apresse suas renas, se puder. Detesto ficar esperando.

 

Abraços amorosos,

 

 

José Aurélio Malta Albuquerque Petriz



Escrito por Pedro Henrique Gomes às 18h09
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